quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Dona de uma voz afinadíssima: Camila Costa



1) Zanzei: Como você avalia o seu primeiro CD solo Reflexo?

CC- Não avalio (risos). Eu gosto dele, sabe como é? Tipo amor de mãe.
O que posso dizer é que é um disco muito especial pra mim, sobretudo, por revelar a mim mesma o meu lado cada vez mais forte de compositora. Nesse momento ando grávida do segundo.


2) Zanzei: No seu disco reflexo, você assina a maioria das composições. Como acontece na hora de compor? No que se inspira para compor?


CC- Compor é uma delícia. Me faz muito bem. Geralmente quando há parceria faço a letra e quando faço só já vem junto letra e música. Dificilmente musico texto de alguém, mas não é uma regra, aliás, o que se quer é não ter regra. Cada música acontece de um jeito, cada parceiro é de uma forma, cada tema se revela aos poucos ou de uma vez só, em frente ao computador, no carro... O grande barato pra mim é que levo de forma lúdica, prazerosa e dou asas à criatividade.


3) Zanzei: Como começou a idéia de ser diretora musical de peças infantis?

CC- Comecei no teatro junto com Sururu, já numa peça de grande porte. “De Getúlio à Getulio – a história de um mito” – Com Sérgio Brito, Osmar Prado e grande elenco. Fabiano Salek fez a direção musical e eu fiquei sendo assistente de direção musical da peça, além de tocar e cantar. Eu então tinha 21/22 anos e foi paixão à primeira vista pelo teatro, que já adorava como público, e passava a adorar toda a sua mecânica de criação, pesquisa e sincronia dentro de um roteiro, com personagens e etc... Depois disso, tocando e cantando, participei da peça Soppa de Letra com Pedro Paulo Rangel, que foi uma revolução na minha cabeça. O roteiro era todo feito com letras do nosso cancioneiro popular (bem diverso) e encenado por esse ator maravilhoso! Aí, a paixão virou amor e fui me embrenhando cada vez mais. Menos do que gostaria até. Fiz algumas peças com menos infra-estrutura, digamos assim, mas que me foram muito prazerosas também. Fiz direção musical de uma peça infantil, uma adaptação de Molière para crianças. Foi um barato. Com direito a bandinha de panelas, misturas sonoras etc... Trabalhei num musical sobre Nossa Senhora Aparecida (Como preparadora vocal e diretora musical) e Canto de amor à Gerais (uma peça musicada só com texto de poetas mineiros). Taí, adoraria trabalhar mais com teatro...


4) Zanzei: Em 2007 você participou de uma turnê mundial (Chicago, Marrocos e Tunísia) em comemoração aos 50 anos da Bossa Nova ao lado do pianista Itamar Assière. Como foi essa experiência?

CC- Foi muito legal! Uma experiência incrível. Fui a convite das embaixadas brasileiras, representando a nossa música. Minha afinidade com Bossa- Nova é muito grande e ter Itamar Assière é um luxo e um prazer. Nós também temos muita afinidade e fizemos diversos trabalhos juntos, além de também tê-lo no Reflexo. A receptividade em Chicago foi maravilhosa, aliás, como quase todas as vezes que fui aos EUA tocar e cantar. Os americanos gostam e respeitam a música brasileira, sobretudo, a Bossa-Nova. Muitos brasileiros residentes em Chicago ficaram emocionados com o show (que também tinha slides das paisagens bossa novísticas do Rio de Janeiro). Já no Marrocos e na Tunísia foi in-crí-vel! Saiba você que os Árabes também gostam de Bossa-Nova. E eu lá, sem lenço na cabeça (muitos risos). Quase sem lenço e sem documento, como disse Caetano.


5) Zanzei: Desde os 14 anos você esta ligada a música. Como você vê a evolução e o cenário musical nos dias de hoje.


CC- Quando comecei aos 14 anos e definitivamente troquei as sapatilhas de Balé por um violão e em seguida o canto, tudo era uma grande brincadeira. Ainda era criança e não sabia nada além do enorme prazer que a música me causava. Será que ainda continuo assim? Nem tanto, talvez. O que vejo é que tem muita gente boa e sinto uma renovação de ares maravilhosa nos últimos tempos.

6) Zanzei: Sendo uma das fundadoras do grupo sururu na Roda como você avalia essa parceria?

CC- São 8 anos! Um trabalho muito bonito que vem ganhando espaço cada vez mais.


7) Zanzei: O que você vem escutando atualmente?

CC- Sempre muita coisa: dos clássicos aos novos. E sempre muito eclética.


8) Zanzei: Quais os artistas que mais lhe influenciaram para formar a sua musicalidade?

CC- Se a pergunta tivesse sido os cantores (as), compositores (a) ou músicos que me influenciaram, acho que não poderia listá-los aqui porque são inúmeros. Mas artistas que me influenciaram na maneira de pensar, sentir e fazer música foram: Chico Buarque, Caetano Veloso, Egberto Gismonti, Elis Regina, Cartola, Fátima Guedes, Luiz Tatit, Zé Miguel Wisnik, Tom Zé, Tom Jobim, Nei Lopes, Maria Bethânia, Nara Leão, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Guinga, Monica Salmaso, Clementina, Adoniram Barbosa, Beatles, Stravinsky, Clara Nunes, Arnaldo Antunes, Sidney Miller, Rita Lee, Gonzaguinha, Noel Rosa e Villa Lobos. Certamente esqueci alguém (risos).


9) Zanzei: Cantora, compositora e violonista. Qual desses talentos você mais gosta?

CC- De preferência tudo e junto (risos).


10) Zanzei: Você é uma artista que da muito valor a cultura brasileira nos seus diversos estilos como: samba, xotes, choros e etc. Qual a sua visão da juventude brasileira não conhecer a sua própria cultura?

CC- Sim. Eu amo a música Brasileira. Nosso povo, nossa gente, nossa história e cultura. Nossa música é uma das mais ricas do mundo. Mergulhar nesse universo é sem duvida fascinante, difícil até de garimpar, há muito ouro, tanto do que já foi como do que se renova. Desejo que a juventude brasileira possa cada vez mais entrar em contato com nossas riquezas e diversidades.


Mensagem ao Zanzei.
“Mesmo que os cantores sejam falsos como euSerão bonitas, não importaSão bonitas as cançõesMesmo miseráveis os poetasOs seus versos serão bons...”


JOGO RÁPIDO

Livro: “Livro do desassossego”(Fernando Pessoa).

CD: Ah! Aquele da Nana Caymmi com Camargo Mariano me marcou profundamente.

Música: São tantas...

Compositor: Chico Buarque.

Instrumento: Voz e Violão.

Cantora: Voz de Elis, Eliseth, Clara, Nara, Fátima Guedes, Salmaso, Calcanhotto...
Cantor: Caetano
Show: Atualmente vi o Show do Vitor Ramil com Marcos Suzano e achei maravilhoso!

Cidade: Rio/Paris/Rio.

Time: Brasil na Copa – Simpatizo com o Flamengo e com o Fluminense.

Cor: Um Arco íris.

Atleta: Senna.

Filme: Sou cinéfila total.

Ator: Pedro Paulo Rangel.

Atriz: Lilia Cabral.

Programa de TV: Quase não vejo TV.

Escola de Samba: Portela e Mangueira, né?

Ídolo: Gentileza.

Sonho: Sonho 70, do Egberto Gismonti.

Viagem: Adoro viajar, sobretudo à trabalho.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Anna Luisa - A música de todos os sons!


Uma mistura de ritmos e sensações marcada pela doce voz de uma carioca cheia de talento. “Girando”, segundo cd de Anna Luisa, chega prometendo grandes surpresas, com uma pitada de tudo o que há de mais brasileiro: a diversidade.

Com um timbre como poucos, tudo o que Anna Luisa faz encanta aos ouvidos acostumados com os bons sons.

O lançamento do cd, que vem pelo selo do Centro Cultural Carioca, está marcado para o dia 29 de outubro, às 21h, no próprio CCC.

Vamos girar por aí e aproveitar o delicioso papo com esse encanto de pessoa, a “bailarina” da música, que nos embala com belas canções.


Carol: Muitos artistas trazem de casa as influências musicais que seguem a sua carreira. Como foi o início da carreira para você? De onde vieram suas influências para compor seu trabalho?
Minha família sempre foi extremamente ligada à música. Todos “arranham” algum instrumento e são movidos a trilhas sonoras. Então sempre ouvi de tudo um pouco, em casa. E em meio a vários estilos (porque a família é grande, e há um ecletismo...) fui, aos poucos, reconhecendo aquilo que me soava melhor aos ouvidos.

Respondendo à sua segunda pergunta, diria que meu “liquidificador musical interno” teria porções de Lenine, Gil, Clara Nunes, Novos Baianos, Luiz Gonzaga, Caetano, Chico, Elis, Pedro Luis e A Parede, Nação Zumbi, Bob Marley, Barbatuques, Dorival Caymmi, Cássia, Marisa, Alceu, Gal, Bethania, Geraldo Azevedo, Tom Zé, Elba e por aí vai!!... Tem uma galera...

Carol: O seu primeiro cd foi marcado pela mistura de ritmos, indo desde o maracatu ao reggae, passando pelo samba, xote e ciranda. E em “Girando”, a mistura se repete?
Sim, claro! A minha “onda” é essa! Ritmos brasileiros! A diversidade que temos de sul a norte me fascina. Não posso ouvir o som de um tambor de alfaia, ou mesmo de um surdo. Um “xique-xique” de xequerê, um triângulo, um agogô. Um batuque qualquer de maracatu, de samba, de côco... Fico logo arrepiada! Por isso é inevitável ter todos esses elementos no meu trabalho. É pensando nesses “arrepios” que componho, que escolho o repertório. “Girando” mantém essa energia. Mas acredito que há uma evolução em termos de maturidade nas escolhas e na criação. Tivemos mais tempo também. Portanto, experimentamos mais, tivemos mais cuidado. Eu tô feliz!

Carol: Em seu novo cd, também encontraremos músicas suas e parcerias? Como é a Anna compositora? Em que (ou em quem) você se inspira para compor?
Sim! “Girando” tem 4 canções minhas. Uma em parceria com Emerson Mardhine, com quem tenho grande afinidade desde que comecei a compor; com Rodrigo Vidal, também competentíssimo produtor musical dos meus dois discos, e com Edu Krieger, talentosíssimo!! E uma só minha. Achei 4 de bom tamanho. Não gravei tudo o que compus. Até nisso tem de haver uma seleção. E sempre gosto de vasculhar um pouco o baú e, por outro lado também, ver o que está rolando de novo por aí. Tem muita gente bacana no disco. Dos velhos e dos novos tempos. Todos extremamente atuais.
Minha inspiração vem das coisas simples da vida. Do que eu observo, do que vivo, do que sinto. Gosto muito de criar personagens também, historinhas... Vc vai ver/ouvir!

Carol: Você lançou seu primeiro cd de forma independente, e “Girando” está saindo com o selo do Centro Cultural Carioca. Para você, quais são as maiores dificuldades de um artista independente? E como essa parceria com o selo do CCC ajuda na difusão do seu trabalho?
Sim, o segundo sairá pelo selo do CCC com distribuição da Universal. Uma parceria bacana que veio em boníssima hora. Somos parceiros: eu, o CCC e a Universal!

A primeira dificuldade do artista independente é, de fato, grana. Os custos necessários para bancar e promover o mínimo para se lançar um disco, dignamente, são sempre altos! Desde a gravação do disco (horas de estúdio, músicos, mixagem, masterização) até o lançamento (que inclui divulgação, produção, shows e etc). Existem algumas leis de incentivo que, por vezes, ajudam nesse processo. Ou sai do bolso do próprio artista. Falando de artista independente...

Por outro lado, temos muitas ferramentas a nosso favor, atualmente. A internet é a mais forte delas. Veja o exemplo da Mallu Magalhães. Consagrada pela internet e, agora, pela grande mídia. Mas primeiro, pela net. Não haveria esta hipótese antes.

As grandes gravadoras que, anteriormente, sustentariam todo esse processo, não correm mais muito risco. Com a pirataria e a queda das venda, dificilmente apostam no novo sem muita garantia. Acabam já pegando o artista com meio caminho andado...

Carol: Muitos artistas usam a Internet para a divulgação de seu trabalho. Qual a importância desse meio para a sua carreira?
Ih! Acabei me antecipando na resposta anterior. Mas uma coisa puxa a outra...

A internet é fundamental! Tenho site, myspace, orkut, enfim... E vejo que, realmente, são espaços importantíssimos. É como colocar a carinha na janela. E uma “senhora” janela! No myspace, por exemplo, recebo vários convites diários de pessoas do mundo todo que jamais ouviriam a minha voz, se não fosse por ali. Ou demorariam muito tempo mesmo!

É uma rede de referências. Você navega em busca de um e acha outro, e outro, e outro. No final, você conheceu “infinitos” talentos escondidos e, ao mesmo tempo, expostos na “rede”! O youtube também virou a maior de todas as janelas (muitas vezes, polêmica, mas é uma janelona! Não há de se negar...)... Existem pessoas do nordeste do país, onde meu disco nem ao menos conseguiu chegar, que cantam as minhas músicas. É incrível. Acho maravilhoso!

Carol: Viver de música nem sempre é uma decisão fácil em um país com tantos talentos como o Brasil. O que a música significa para você? Como é viver de música em meio a tanta gente talentosa?
Tem que ter paixão, acima de tudo, mas não apenas... E talento, muitas vezes, não basta. Apesar de ser o início de tudo, e sem ele, nem meio, nem fim... Existem muuuitos! Mas tem que ter vocação! Perseverança, resistência à frustração, insistência e paciência. São muitos fatores que conjugados podem resultar em sucesso. Até a própria sorte! Importante ser somada, sim.

O sucesso também é outra coisa relativa, enfim...
Acho que se o seu trabalho é de verdade, se você acredita nele, com força ( com força mesmo!), você vai seguindo. Não me queixo, de nada mesmo. To muito feliz. E vou continuar fazendo música!

“Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Alguém vai ter que me ouvir”

Carol: Você já tem planos de fazer o novo show ‘girar’ pelo Brasil?
Sim, mas pra ano que vem. Vamos armando o terreno, com calma, pra cruzar as fronteiras!


JOGO RÁPIDO:
Obs.: Esses “jogos rápidos” são cruéis, viu?! Vou dar o panorama do momento... Tudo pode mudar amanhã...

Livro: Vou ser piegas, mas “O Caçador de Pipas”...
CD: To ouvindo sem parar “Ponto Enredo”, último da PLAP (Pedro Luis e A Parede). Sensacional!
Música: Que situação... São muitas... Mas aproveito para destacar “Cicatrizes”, de Miltinho e Paulo Cesar Pinheiro. Roberta Sá gravou com MPB-4. Linda demais a canção!
Compositor: Rodrigo Maranhão
Instrumento: Como disse, gosto dos tambores. Dos graves do surdo e da alfaia.
Cantora: Clara Nunes
Cantor: Lenine
Cidade: Rio de Janeiro (acima e apesar de tudo...)
Cor: RoxoTime: FlamengoAtleta: Paula (do basquete) Adorava vê-la jogar!Filme: fiquei muito impressionada com “Ensaio Sobre a Cegueira”. Tá recente, acabo de ver... Ator: Selton Mello
Atriz: Marieta Severo
Escola de samba: gosto da Mangueira, da Portela, Beija-Flor, Salgueiro, sem xiitismos. rs...
Sonho: Envelhecer com saúde pra continuar fazendo música. Até o fim...
Viagem: Nordeste, de cabo a rabo. Acho interessantíssimo. Riquíssimo musical e culturalmente. Criativo. Queria visitar os becos onde rolam ensaios de batucadas e danças populares de cada região. Pra ter os “arrepios”...

Palavras ao Zanzei:
Todos convidados para o lançamento do meu segundo disco – Girando – que terá show no Centro Cultural Carioca (RJ) no dia 29 de outubro. Apareçam!
Carol, obrigada pelo carinho de sempre! Beijo!

Anna, eu que agradeço por todo seu carinho e atenção! Torço muito por você, e tenho certeza que a cada dia mais pessoas vão se encantar com o seu belíssimo trabalho! Sorte e sucesso!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Cof Damu - A Bahia além do Axé!


E a vaca tossiu! Seis amigos que se juntam, em Salvador, para fazer um som que passa longe do Axé, tinha tudo para dar errado. Mas a irreverência e o talento de Véu Pater (vocais, violão e flauta), Cláudio Lima (bateria), Eduardo Karranka (guitarra), Pedro Fulgêncio (teclados), Fábio Abu (percussão) e Dudare Wriwrai (baixo) conquistou o público baiano e vem ganhando espaço em solo carioca.

Com o cd “Cof Damu” recentemente lançado pelo selo Som Livre Apresenta, a banda, que se mudou para o Rio de Janeiro, foi descoberta pela Internet. E o que eles achavam ser um trote, foi a realização do projeto que muitos artistas buscam, o apoio para o lançamento de seu trabalho.

Com a agenda de shows cada vez mais movimentada, a Cof se apresenta na Nuth no dia 16 de setembro, no projeto Oi Novo Som.

Conversei com a banda sobre sua trajetória e novos projetos. Divirta-se!

Carol: A música sempre esteve presente na vida de vocês? Como foi que a banda começou?

[CLÁUDIO] A música sempre fez parte das nossas vidas, nos encontramos por causa dela. Eu já tocava com Verônica numa outra banda. Quando o grupo acabou, ela e Pedro pensaram em montar um novo projeto. Pedro convidou Dudare (que tocava junto com ele na Vinil 69) e, durante a gravação do cd, chamou Abu (que estudava com ele). Pessoas saíram, pessoas entraram, até termos a formação de hoje, com Karranka na guitarra.

Carol: O nome “Cof Damu” vem da expressão “nem que a vaca tussa”. Como surgiu a idéia para esse nome?

[DUDARE] “Há controvérsias” (risos). As pessoas que acompanham nosso trabalho e a imprensa já deram tantas versões para a origem do nome da banda que a gente até já esqueceu da história original. Brincadeira... A gente queria algo diferente pro nome e como estávamos fazendo um som que não tinha nada a ver com o axé, pensamos: “nem que a vaca tussa esse som vai dar certo aqui”. Aí brincamos com as palavras e deu nisso – rs. Resumindo: Cof (tosse) Damu (da vaca).

Carol: Qual a importância da Internet na divulgação do trabalho de vocês?

[PEDRO] A Internet tem um papel fundamental na divulgação do nosso trabalho. Se não fosse por ela, talvez não estivéssemos respondendo esta entrevista agora. Temos uma ferramenta riquíssima ao alcance dos dedos e procuramos explorar o potencial que ela tem para oferecer. Estamos falando de uma mídia praticamente gratuita, onde todos podem disponibilizar seu trabalho. A Internet é de suma importância, não apenas pra gente, mas para o processo de democratização da cultura, de modo geral.

Carol: Como é, para vocês, terem o cd lançado pelo selo Som Livre Apresenta? Como surgiu o convite para gravar esse cd?

[FÁBIO ABU] Disponibilizamos nossas músicas no site Palco mp3, o pessoal do selo encontrou nossa página e entrou em contato conosco. Até achamos que era trote (risos). Pouco tempo depois formalizamos o contrato e lançamos nosso disco, que já estava gravado e foi remixado e remasterizado nos estúdios da gravadora. O Som Livre Apresenta desenvolve um trabalho muito bacana, de parceria com as bandas do seu casting. Às vezes as pessoas confundem, acham que matriz injeta rios de dinheiro nos artistas do selo, mas não é verdade. Contamos com um apoio do selo, mas não deixamos de ser independentes. Fazemos tudo entre nós mesmos; da divulgação do nosso trabalho até as negociações de shows.

Carol: A Bahia é vista como um lugar que só lança artistas de Axé. Como é para vocês, uma banda baiana, fugir desse estereótipo? Quais são os desafios para se conseguir um espaço em um lugar tradicionalmente ligado ao Axé?

[KARRANKA] Fugir do estereótipo não é difícil, complicado mesmo é sobreviver com o diferente (risos). Não há mercado em Salvador para o tipo de música que fazemos. A indústria da música na Bahia prefere investir numa receita onde não fazemos parte dos ingredientes (risos). Mas existem exceções e iniciativas louváveis também, assim como existe um público que alimenta essas ações.

Carol: A Cof Damu já foi comparada com os Novos Baianos, grupo que fez grande sucesso na década de 70. Como vocês encaram essa comparação? Existe alguma influência dos Novos Baianos na música que vocês fazem?

[VÉU] A comparação chega a ser uma honra pra gente. Todos nós, sem exceção, admiramos o trabalho dos Novos Baianos. Mas não conseguimos identificar grandes semelhanças com a sonoridade das nossas músicas. Parecido mesmo, está sendo o trajeto: somos 6 baianos morando juntos no Rio de Janeiro, acabamos de lançar nosso disco por um selo da Somlivre, vivemos num esquema meio “comunidade” (risos). Acreditamos que a comparação está mais ligada ao conceito, do que à forma.

Carol: Todas as músicas presentes no cd de estréia da banda são da vocalista Véu Paternostro. Véu, como é o seu processo de composição? Que temas você costuma abordar nas suas músicas?

[VÉU] É bem natural. As idéias fluem na cabeça e eu só faço executar. As letras são variadas, mas nesse cd, em particular, as relações humanas foi a principal temática. As faixas falam de um simples relacionamento afetivo (como Grãos), até a preocupação com o trabalho escravo (como Caprichos).

Carol: Falem sobre a experiência de estarem morando no Rio de Janeiro. Como vocês estão sentindo a recepção do público carioca? O que vocês já incorporaram da música carioca?

[FABIO] A experiência está sendo, no mínimo, diferente. Pelo menos no começo, foi. Eram 7 pessoas morando em um apartamento de 2 quartos. com seus instrumentos e pertences pessoais. Então, foi massa!!! Mas o importante de estar morando no Rio é estar conectado e se conectando; e também estar sendo conectado, com o que está acontecendo com o resto do país e do mundo. Morando em Salvador você fica um pouco cercado pelo mercado cultural local, o que faz com que você não expanda seus horizontes.

Explicando, a cultura e a arte são o motriz das revoluções/mudanças sociais. A música do momento é o reflexo do que está acontecendo no mundo, não apenas nas letras mas principalmente no conceito sonoro da música, na emoção. As turnês nacionais maiores, e principalmente as internacionais, não passam nem perto de Salvador. Sendo assim, fica-se sabendo do que está acontecendo, mas, falando de uma forma mais profunda, a sensação de estar participando do acontecimento é quase nula. É como um expectador que apenas observa, quer fazer parte e não consegue (a Internet pavimentou um pouco esta estrada, mas um pouco; ter visto a queda do muro de Berlim pela TV, por exemplo, foi bem diferente do que ter estado lá com seu martelinho na mão).

Então, respondendo a pergunta, morar no Rio é exatamente o inverso do escrito acima. É estar presente.

Carol: Quais são os planos da banda, agora que estão morando no Rio? O que podemos esperar da Cof Damu daqui para frente?

[PEDRO] Queremos continuar trabalhando muito, divulgando nosso trabalho e tocando pra um número cada vez maior de pessoas. Achamos que se fazemos uma coisa com o coração, e colocamos nossa alma nisso, as chances de dar errado diminuem (risos). Daqui pra frente, queremos nos cercar de muita energia positiva e de pessoas que queiram crescer junto com a gente. A cada pessoa nova que vem falar conosco depois dos shows, sentimos que a banda ganha um novo integrante. O feedback e o apoio do público são muito importantes pra gente.


JOGO RÁPIDO:

Livro: [Véu] O Tao da Física - Fritjof Capra [Abu] Tuareg - Alberto Vazquez-Figueroa [Dudare] Histórias de Amor – Rubem Fonseca [Cláudio] História da Riqueza do Homem - Leo Huberman [Karranka] Armas, Germes e Aço. Os destinos das Sociedades

CD:
[Véu] Le Fil - Camille Dalmais [Abu] Baiano de Os Novos Caetanos [Dudare] Let There Be Rock – AC/DC [Cláudio] Crash – Dave Matthews Band [Karranka] Acabou Chorare - Novos Baianos

Música:
[Véu] Sweet Lullaby – Deep Forest [Abu] Ocean Size - Jane's Addiction [Dudare] Ten Years Gone – Led Zeppelin [Cláudio] Nineteen Days – Gavin Harrison [Karranka] Eleanor Rigby

Compositor: [Véu] Nitin Sawhney [Abu] Luiz Gonzaga [Dudare] Raul Seixas (transformou todos os livros em músicas) [Cláudio] Chico Buarque [Karranka] Raul Seixas

Instrumento:
[Véu] Piano [Abu] Percussão [Dudare] Baixo (McCartney tocando de preferência) [Cláudio] Bateria [Karranka] Guitarra

Cantora: [Véu] Tori Amos [Abu] Bjork [Dudare] Rita Lee (zelo mais pela alma e composições, e isso ela tem de sobra) [Cláudio] Sara Tavares [Karranka] Elis Regina

Cantor:
[Véu] Thom Yorke [Abu] Chris Cornel [Dudare] Ray Charles [Cláudio] Youssou N’dour [Karranka] Robert Plant

Cidade:
[Véu] Masdar City [Abu] Lauro de Freitas [Dudare] Todas que não conheci [Cláudio] Salvador [Karranka] Barcelona

Cor:
[Véu] Tons terra [Abu] Azul [Dudare] Verde [Cláudio] Verde [Karranka] Azul

Time:
[Véu] o que está perdendo [Abu] Brasil [Dudare] E.C. Bahia [Cláudio] E.C. Bahia [Karranka] C.R. Flamengo

Atleta:
[Véu] Abu rsrs [Abu] Bob Burnquist [Dudare] Mailson [Cláudio] Usain Bolt [Karranka] Michael Phelps

Filme:
[Véu] Terráqueos [Abu] The Goonies [Dudare] Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado [Cláudio] Os Deuses Devem Estar Loucos [Karranka] Os Suspeitos

Ator:
[Véu] Rowan Atkinson (ficar sério numa montanha-russa não é pra qualquer um rsrs) [Abu] Matheus Nachtergaele [Dudare] Sean Penn [Cláudio] Gcao Coma [Karranka] Morgan Freeman

Atriz: [Véu] Linda Blair (virar a cabeça 180º não é pra qualquer uma rsrs) [Abu] Fernanda Montenegro [Dudare] Fernanda Montenegro [Cláudio] Audrey Tautou [Karranka] Sônia Braga

Escola de samba:
[Véu] Nenhuma [Abu] Nenhuma [Dudare] tenho simpatia pelas cores da Mangueira [Cláudio] Todas [Karranka] Salgueiro

Sonho:
[Véu] O da padaria da esquina (de creme) [Abu] Mundo [Dudare] o mundo da imaginação :P [Cláudio] sonho [Karranka] Progresso

Viagem: [Véu] Chapada dos Veadeiros [Abu] Oriente Médio [Dudare] Amsterdam [Cláudio] Europa [Karranka] Egito

Palavras ao Zanzei: Foi um prazer imenso responder esta entrevista. Agradecemos muitíssimo pelo bate-papo e esperamos que os leitores tenham curtido também. Muita música no coração de todos e positividades, sempre!

Cof, muito obrigada pelo papo! Parabéns por acreditarem no trabalho que vocês fazem, e por passarem, a quem conhece o som, uma verdade tão boa de sentir! Desejo a vocês muito sucesso aqui no Rio, e que o som da Cof se espalhe cada vez mais!