segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Entre as flores da Lapa - Roberta Espinosa


O grupo Matriz lançou um guia mensal de programação, e o primeiro, veio com ela na capa. Não é para menos, o destaque e os elogios são mais do que merecidos. Roberta Espinosa, tem uma voz linda e uma presença de palco que deixa no chinelo muito CD de platina por aí.

Depois de ter aberto o projeto "Vozes da Lapa", no Teatro Odisséia, já fez seu show solo, no Bar da Ladeira - continuação do projeto - E está com vários shows marcados. Pelo menos em algum, você consegue ir, mas o recomendado mesmo, é que vá em todos. Não tem erro. É diversão na certa.

Produzindo seu primeiro CD, essa menina moça de apenas 21 anos, já tem fãs fiéis, com direito a comunidade no Orkut. Não podia ser diferente, a princesinha do samba (como é chamada na comunidade dedicada a ela), é uma simpatia e as apresentações dela são uma delícia. Samba. Muito, e de todos os tipos: pra ouvir, pra dançar, dos clássicos aos mais "moderninhos" , se der sorte, escuta uma das composições dela e pode terminar a noite dançando um forrózinho. Só há um risco: a música parar e você querer mais!

Raquel: Como e quando começou seu contato com o mundo artístico? Li que você já fez tablado, como foi essa experiência? Você ainda atua?

Roberta: O meu contato com o mundo artístico começou quando eu era bem pequenininha (menor ainda), rs. A minha mãe não se profissionalizou como cantora mas, dentre as muitas lembranças que tenho, tem uma muito forte que é a da minha mãe cantando em frente ao som e me perguntando: "minha filha ficou boa essa música?" O meu avô, pai da minha mãe conheceu a minha avó no teatro e o filho deles, meu tio, fazia tablado. Ele passava o dia inteiro me filmando. Tem uma gravação em que eu interpreto a Ruth e a Raquel da novela "Mulheres de areia." Eu queria ser atriz, o lance de ser cantora só surgia quando eu via a Patrícia Marx cantar. Meu pai, é um artista nato. Só quem conhece sabe! Quando eu completei uns 13 anos entrei pro Tablado, mas logo descobri os musicais e o prazer de cantar superou e muito o lance de atuar. Mas de verdade, o que eu gosto mesmo é de cantar! Amo, amo, amo cantar e passar uma boa energia pras pessoas.

Raquel: Há quanto tempo você se apresenta? Além do Bar da Ladeira, onde você já se apresentou?

Roberta: Eu me apresento desde que eu tenho uns 17 anos. Comecei numa banda de anos 80 chamada Zelda Scotti. Isso é muito louco pq eu fazia um musical e um ator chamado Milton virou pra mim e disse: " Quem falou que você é atriz se enganou e muito! Você é cantora garota. Eu vou montar uma banda pra você. Quando estiver pronta eu te ligo!" Eu acabei saindo do musical e um dia voltando de viagem, o telefone toca e era ele dizendo que estava tudo pronto. Foi a primeira banda que eu comandei. Foi quando eu tive a certeza de que realmente eu não tinha nascido pra outra coisa. A banda acabou porque o Milton faleceu num acidente de moto e ninguém mais conseguia ensaiar. Eu fiquei um tempão arrasada. Aí eu fui numa boate e conheci o Rick De La Torre (baterista) e o Toninho Van Han (tecladista). Eles me apresentaram o Otavio Santos(compositor maravilhoso) e nós começamos uma banda chamada Bela Perdida. é um pop moderno, logo vai estar no myspace.
Na Lapa eu comecei a cantar há dois anos. Foi louco porque eu passei na frente de um barzinho e falei:"vocês querem uma roda de samba???". Eu só sabia cinco sambas de cor. Chamei a Adriana Hadassah pra me fazer companhia, ela é prima da minha tia e canta na Lapa. Ótima cantora, aprendi muito com ela. Nesse meio tempo eu canjeava com o Toque de Arte. Bebi muito da fonte deles. Da fonte maravilhosa diga-se de passagem. Foi o meu pai quem me levou. O meu pai não queria que eu fosse artista mas ele era amigo dos integrantes do grupo. Aí eles me ouviram e disseram: " Carlinhos você ta perdido!!!" (risos)
Eu já cantei no Rio Scenarium, estarei fazendo a minha quarta temporada agora em setembro. Teatro Odisséia, Café Cultural Sacrilégio, Cinematheque, Vinícius Bar, Bar da Ladeira, Espaço GNT...


Raquel: Você exerce alguma outra profissão ou se dedica apenas ao campo artístico?

Roberta: Eu fazia Pedagogia na UNIRIO mas eu tranquei. Passei pra letras em 2005 na UERJ e só descobri no mês retrasado. Quase que eu morri do coração. Eu amo letras teria feito com certeza! Pq eles não mandam uma carta dizendo que a gente passou? Atualmente estou na música e dela não quero sair. Vou prestar a prova esse ano pra UNIRIO de novo rs ( ai esse vestibular que me persegue) pra música.

Raquel: Na sua opinião, o cenário carioca está aberto para novos talentos? Como se percebe a facilidade ou dificuldade de se inserir como novo nome nesse meio?

Roberta: Eu acho que o cenário carioca está aberto sim. E o cenário brasileiro nem se fala, é imenso, tem espaço pra todo mundo. Eu não posso responder por todos mas a maior dificuldade que eu estava enfrentando era estar sem o CD. Agora ele já saiu do papel mas ainda falta muito pra ficar pronto. É trabalho árduo mas tem que ser feito. O meu site entra no ar agora no final de agosto. Agora, o difícil é se divulgar. A Rede Matriz faz um trabalho muito bacana nesse sentido. Eles divulgam com esmero os artistas que fazem os shows em suas casas. Lançaram uma revista chamada Nox. Eu, Simone Lial, Patricia Oliveira e Karla da Silva fomos a capa da edição de agosto. A mídia é que está muito fechada pra música de uma forma geral. Não existem mais programas que apresentem os novos grupos. Cara, a música toca direto na rádio e pra aparecer na tv demora séculos. Tudo bem que a televisão não é a única forma de divulgação mas todo mundo sabe que o brasileiro vê muita televisão e a grande massa não tem tv a cabo. Tem o programa do Raul Gil e tem o Som Brasil que é maravilhoso mas eu nunca assisto porque é muito tarde. Garanto que muita gente também não consegue ver. Porque não passa um programa assim no sábado, domingo a tarde? O brasileiro é muito musical. A gente não pode perder isso.

Raquel: O que você não abre mão de ouvir?

Roberta: MPB.

Raquel:Quais artistas são suas principais influências?

Roberta: Elis Regina, Tim Maia.

Raquel: Repertório, como você monta? Dá preferência a quais artistas?

Roberta: Na verdade, eu dou preferência às músicas. O cantor sempre será voz e canção. Se ele tem a canção que toca o coração das pessoas ele tem o ouro na mão. Eu procuro canções que me agradem e que eu sinto que agradam o público também.

Raquel:No show que eu assisti, você cantou também vários forrós? Qual a importância você dá a não se prender a um único estilo musical?

Roberta: Eu acho importante por causa dessa coisa da canção. Pra mim não existe um samba bonito, um forró bonito ou um sertanejo bonito, as músicas são bonitas. Os caras se inspiram e compõem umas coisas inacreditáveis. Junto com elas vem o ritmo. Mas cantando na noite eu dividido em blocos pra galera ter o momento de sambar, o momento de paquerar, o momento de forrozear...ou pode ser misturado, vale tudo!

Raquel:Percebi também a presença de composições suas. Existe alguma forma de acesso as suas músicas? Existem planos para o lançamento de algum CD? Agora, quais são seus principais planos, na música?

Roberta: Pois é! Eu já canto comumente uma música minha chamada “Descaminhos” e o pessoal está decorando (isso é demais) e já pede no show! Poxa, eu fico muuuuuito feliz. Eu não toco instrumento e assim como muitos compositores eu componho de cabeça. Quando eu canto pros meus pai eles sempre fazem uma cara esquisita! Depois que a harmonia é colocada eles falam " essa música não foi aquela que você cantou"!!!(risos)
Já entrei em estúdio pra gravação do cd e eu devo assinar 7 das 10 composições dentre parcerias também. Vai ter samba, soul, axé!!!! Procurei fazer um CD pra dançar. Também terá uma ciranda que eu acho que será a única música lenta do disco.
Planos? Eu tenho vários...mas dá pra fazer plano no nosso país??? (risos) O meu plano é continuar tendo fé em Deus pq com Ele tudo dará certo.


Raquel:Você já fez alguma parceria? Com quem?

Roberta: Marcio Lokal, Otávio Santos, Diana Nascimento, Thiago Mocotó...

Raquel: E a parceria dos sonhos? Com quem seria? O que vocês cantariam?

Roberta: A parceria dos meus sonhos já aconteceu!!!! É a parceria com uma pessoa que eu apelidei carinhosamente de "presentinho". É com a minha irmã de dez anos. A letra é dela e a música " Aonde está meu Rio" vai estar no cd. ( Licença poética para o aonde, rs). A minha irmã Luisa foi o melhor presente que eu já recebi.

Raquel: Se pudesse resumir, o que sente, quando está no palco, como o faria?

Roberta:" Sai do chão"!!!

Jogo Rápido:

Livro:
" A menina que roubava livros"
CD:Los Hermanos 4
Compositor: Chico Buarque, Gilberto Gil e Marcelo Camelo.
Instrumento: Piano, bateria, percussão
Cantora: Elis Regina
Cantor: Tim Maia
Cidade: Trancoso
Time: Fluminense
Cor: Vermelho
Atleta: Daiane dos Santos
Filme: Closer e o Segredo de Brookeback Mountain
Ator: Tony Ramos
Atriz: Marieta Severo
Escola de Samba: Gosto de todas.
Sonho: Um sorvete imenso.
Viagem: Bahia

Palavras ao Zanzei:

Zanzei muito obrigada pela oportunidade desse papo gostoso! E obrigada por me dar também a oportunidade de mostrar um pouquinho como eu sou e dar essa força na minha carreira!
Beijocas
Ps: " Alô mamãe!"...e papai!


Quer conferir, vai sem medo. Aprovadíssima pelo Zanzei:

09 a 13/09 - Rio Scenarium
20 /09 - Bar da Ladeira – Esse será especial, comemoração do aniversário da Roberta.
3, 17 e 31 – Teatro Odisséia (Vozes da Lapa)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Raquel Koehler - As várias faces de uma artista!


Ela é todas em uma só. É atriz, cantora, engraçada, séria, ‘over’. É Black Music e é Rock’n’roll. Ela é Raquel Koehler. Depois de lançar, em 2007, “Pilhagem”, seu CD de estréia, Raquel vem com um novo show, mostrando as contradições da vida, com músicas que falam de conflitos, de fé, de mudança, de alegria. Com arranjos ousados para clássicos como “Preciso me encontrar”, de Cartola, ela pretende surpreender.

Além do seu novo show, Raquel volta em cartaz com o musical “Calabar”, de Chico Buarque, em que interpreta Anna de Amsterdã. A peça estará em cartaz nos dias 22 e 23 de agosto, no Teatro Municipal de Niterói.

E no dia 18 de agosto, tem o Pocket Pilhagem na FNAC Barra Shopping.

Aceite o convite e atreva-se a conferir o papo com essa artista que é puro movimento:

Carol: Depois de uma temporada de sucesso em Niterói, “Calabar” está de volta. O que essa experiência no teatro ajuda na sua carreira de cantora?

Muito. Costumo dizer que uma vez no teatro, para sempre nele. O olhar muda, e nada é porque é. (risos) A piração mais louca passa a ter uma justificativa, nem que seja a minha, só minha (risos).

Arte nada mais é que modificação, transformação, mesmo que isso aconteça da forma mais descompromissada possível (acho que com a musica é um pouco assim). E depois do teatro, é impossível não se comprometer. Existe um compromisso em modificar, sim.

Então, aliar essas duas formas de arte, sem dúvida, é maravilhoso. Voltar a regar a semente do teatro está sendo mágico, principalmente neste momento.

Carol: O seu novo show está com um aspecto teatral. A idéia veio depois da sua participação em “Calabar”?

Na verdade, já era um grande desejo, mas, sem dúvida, estar em “Calabar” me deu muito mais segurança.

Carol: Qual o conceito do show “Pilhagem – Contradições”? O que você espera passar para o público?

É falar de mim, de uma pessoa que é várias pessoas, e que acredita que o mundo é feito de pessoas que possuem várias outras dentro de si (risos).

Esse show fala de crises, do mundo, da vida, de personalidade, dos problemas de uma maneira geral, mas vestidos de formas diferentes. Falo da fé, que acredito muito ser a única forma de modificação, falo de trocar a roupa, de encarar a vida, com todos os problemas, de uma forma mais leve e alegre.

Enfim, a Raquel mais centrada que existe dentro de mim, acha isso (risos). A outra quer anarquia, catarse, inquietude ou até mesmo um incômodo, o entalar da garganta (risos).

Carol: Como foi a escolha de repertório? O que vai ter de novidade em relação ao antigo show?

Foi pensando nisso tudo. Entram músicas novas sim, como ”Socorro” de Arnaldo Antunes, “Preciso me encontrar” de Cartola, “Tiro Onda” de Jair Oliveira, entre outras.

Carol: O show “Pilhagem” era embalado pela Black Music. O que te levou a inserir o Rock'n'roll nesse novo show?

Acho que tem a ver com aquele papo de várias pessoas dentro de uma. Não gosto dos rótulos e da necessidade de rotular. Acredito estar numa eterna mutação, evolução (ou não! risos) e amadurecimento, sempre tive necessidade disso.

Durante muito tempo, ganhei meu público com boas risadas, aliadas ao swing. Quis mostrar esse meu outro lado agora, tenso, consistente, e até mesmo pesado.

Por esses dias, conversando com uma amiga, falei que estava com medo de o show ficar meio “over”. Ela perguntou: “Medo? Over?”. Medo realmente não costuma ser uma característica minha. E sobre o “over”, tive que ouvir na lata: “Você é ‘over’! Medo de parecer o que é?” (risos).

Carol: Como você sentiu a recepção do público nas estréias no Rio e em Niterói?

Fiquei muito feliz, muito mesmo! Tinha dúvidas, me afastei do palco por quase um ano para encarar todas essas transformações. Tinha dúvidas sobre a aprovação e sobre o público. Mas não, eles estavam lá, lotando os dois Teatros, e o melhor, aprovando tudo.

Carol: Você já tem previsão de levar esse novo show para fora do Rio?

É um grande desejo meu e estamos trabalhando muito para isso. Muito em breve estaremos por São Paulo, e lá é só o começo! O mundo que me aguarde! (risos).

Jogo rápido:

Livro: "O Mistério de Feiurinha" (marcou minha infância! risos)
CD: Muitos
Música: Brasileira
Compositor: Chico Buarque, Lenine, Moska
Instrumento: Coração
Cantora: Elis Regina e Cássia Eller
Cantor: Freddie Mercury
Cidade: Niterói
Cor: Todas (mentira! risos. não gosto de marrom)
Time: O que ganhar (risos)
Atleta: Todos os que lutam para viver do que amam
Filme: "À Espera de um Milagre"
Ator: Marco Nanini e Marcos Caruso
Atriz: Marília Pêra
Escola de samba: Lapa, Rio de Janeiro, Cartola, Noel Rosa...
Sonho: Ir no Jô! (risos)
Viagem: As que ainda não fiz
Palavras ao Zanzei:
"Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

Raquel, muito obrigada pelo seu carinho e atenção. E que muito mais pessoas possam ser contagiadas pela sua energia e alto astral! Sucesso sempre!

sábado, 3 de maio de 2008

Lucio Sanfilippo. Disco novo previsto para setembro de 2008"



1.Desde a infância você era ligado à música?

Sim. Meu avô Lucio Sanfilippo tocava tarantelas ao acordeão. Meu tio Remo tocava guitarra e violão. Fora isso, meu pai sempre ouviu muita música desde que eu era pequeno: Clara Nunes, todos os discos do Roberto Carlos, dos Festivais de San Remo da Itália, tarantelas, Cláudio Villa, Aurelio Fierro, as coleções de compositores que se vendiam nas bancas de jornal, como Ataulfo Alves, Chico Buarque, Luiz Gonzaga e também muita Gal Costa, Caetano Veloso e trilhas das novelas da Globo, que eram maravilhosas.


2.Como surgiu a idéia de gravar o primeiro disco?

Eu, muito honrado, tinha recebido um convite pra gravar as músicas do Lenildo Gomes (bandolinista do excelente Dobrando a Esquina) e do Luiz Flávio Alcofra (violonista do Água de Moringa) num disco lindo chamado Cordel da Fitas, que contou tb com a presença da Clarice Magalhães (pandeirista do Choro na Feira) e que saiu em 2001. Fiquei com vontade de gravar outro mais autoral com as minhas músicas e com as músicas da minha infância e dos compositores de que gosto. A Ana (Costa) e o João (Hermeto) toparam a idéia e demos corpo ao projeto.


3.Como você avalia o seu primeiro CD Canções de amor ao Leo?

Eu, sem falsa modéstia nenhuma, acho meu disco um dos melhores que já ouvi. A Ana Costa e o Joãozinho Hermeto arrebentaram nos arranjos e tb tocando, e os músicos são todos maravilhosos. Tem Lia de Itamaracá, Tia Maria do Jongo, Coco de Umbigada de Guadalupe-PE, Razões Africanas (Dely Monteiro, Lazir Sinval, Luiza Marmello, Anderson Vilmar, Marcello Mattos e o Joãozinho), Bianca e Dedé Alves, na época, do O Roda e músicos do naipe de Dani Spielmann, Nicolas Krassic e Nilze Carvalho. Um repertório mais do que brasileiro, mostrando toda a beleza de ritmos como jongo, coco, afoxé, ciranda, maxixe, com compositores excelentes. Enfim, um disco lindo em todos os aspectos. Pena a pouca divulgação. Tem sites que descobriram o disco (lançado há dois anos) somente agora e fizeram críticas excelentes. Eu vendi quase que de mão em mão entre 1500 e 2000 CDS.


4.Quais são as suas influencias?

Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Djavan, Marisa Monte, Orlando Silva, Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Paula Toller, Elis Regina, Ciro Monteiro, Clara Nunes, Claudio Villa, Beniamino Gigli, Aurelio Fierro e tantos outros... Hoje ouço muito Moyséis Marques e Marcos Sacramento. Também tenho influência imensa dos ritmos brasileiros da cultura popular, do candomblé e do folclore.


5.Quais seus planos para 2008?

Lanço meu disco no segundo semestre e também lanço este ano meu livro para-didático sobre interdisciplinaridade e cultura popular. Vou tentar fazer com que os dois ocorram simultaneamente. Também vamos gravar o disco do Razões Africanas e vou fazer mais dois desfiles do Galinha d’Angola, dia 13 de maio e dia 20 de novembro, pelo menos.


6. O que o público pode esperar do seu próximo CD?

A minha gravadora ZAMBO DISCOS me fez o convite pra fazer um novo disco este ano. Lanço então, em setembro, cd de inéditas minhas e de compositores amigos e maravilhosos com muito samba, jongo, maracatu, coco, marcha-rancho, afoxé... Que é realmente a minha praia. Participações especiais confirmadas de Tia Maria do Jongo, Razões Africanas (Dely Monteiro, Lazir Sinval e Luiza Marmello + Marcello Mattos e Anderson Vilmar) e Roberta Nistra. Arranjos de Marcelo Menezes e Ana Costa.


7. O grupo Razões Africanas trabalha em cima de diversos ritmos como: Jongo e Afoxé. Você acha que a cultura afro deveria ser mais divulgada no Brasil?

Acho que tem que ser mais divulgada sim, por isso vou lançar este livro e colaboro, agora como voluntário, com o LCPF/UERJ, um laboratório de folclore e cultura popular dentro da universidade publica, coordenado pela professora doutora Zezé do Folclore. Ministro oficinas de danças populares e vou lançar este cd novo valorizando sempre a nossa cultura. Fora o trabalho com o Razões Africanas que me dá esse prazer imenso (pretendemos gravar um disco ainda este ano tb) ainda participo de um coral que canta em línguas africanas coordenado pela minha Mãe Pequena, a Ialê Lucinha Pessoa e fundamos tb o bloco afro Galinha d’Angola, o “Vai Conquém?”


8. No seu disco podemos observar muitas influencias, estilos variados. Como você define a sua música?

Eu a defino como música brasileira. Porque é resultado da mistura das minhas influências que são negras, brancas e indígenas em sua mais alta e forte essência. Mas há quem o classifique de regional. Acho lindo, de qualquer forma (risos).


9. Uma de suas paixões é o Candomblé. Como você vê a religião nos dias de hoje?

Eu sou um apaixonado pela minha religião. Amo os orixás, o meu orixá, o meu pai de santo, minha mãe pequena, meus irmãos. Somos uma família. Sei que existe um monte de gente que entra na religião perdido ou só pra aparecer. E sei também que tem um monte de mau caráter aí usando o nome do candomblé pra fazer suas falcatruas. Mas mau caráter tem em qualquer lugar. Religião - sempre foi muito claro na minha cabeça - é pra se encontrar, se religar com o divino, difundir o amor, que é a coisa mais importante do mundo. Mas cada um tem um caminho religioso, dentro ou fora do candomblé. Sigo meu caminho, orientado pelo meu zelador, pelo meu orixá e pela minha consciência que, por sua vez, é guiada pelo amor. Aprendi cedo com minha mãe e passo pro meu filho que temos que fazer nossa parte, ser bons, que temos que amar que temos que trabalhar pagar nossas contas em dia e levar a vida com bom humor, respeito e felicidade. Se você perguntar pro meu filho Leonardo qual é a coisa mais importante do mundo, ele vai responder que é o amor, porque reforço isso a cada dia. Acabamos de perder Ia Nitinha, matriarca do Engenho Velho e da nação Ketu no Brasil, segunda pessoa da Casa Branca, o terreiro de candomblé mais velho do Brasil e minha avó de santo. Com ela vão muita sabedoria e muita disciplina religiosa. Ficamos nós com a responsabilidade de manter em alta conta a nossa religião e o nome de nosso Axé Ia Nasso Oka com muito amor, dignidade e força!


10. O que você tem escutado ultimamente?

Moyséis Marques, Edu Krieger, Roberta Sá, Marcos Sacramento, Gal Costa, Simone Guimarães, Vanessa da Mata (estou apaixonado por Carta e a Força que nunca seca), Adryana BB, Gonzaguinha, Marcelo Menezes e um disco chamado Alumeia - O Cerrado que a Velha Canta maravilhoso. Passei tudo pro meu mp4 e ouço no carro e quando estou correndo malhando. Meu dia é sempre cheio de música.
Jogo Rápido

Livro: KITABU, NEY LOPES E GALINHA D’ANGOLA (José Flávio Pessoa de Barros, Arno Vogel e Marco Antônio da Silva Mello
CD: Tenho ouvido os do Krieger, do Moyséis e da Roberta Sá. Adoro Plural e Gal, da década de 90 da Gal Costa
Música: CARTA (Vanessa da Mata)
Compositor: pra citar 3 dos que mais gosto, Mauro Duarte, Délcio Carvalho e Wilson moreira e dos novos, Pedro Holanda, Edu Krieger e Moyséis Marques
Instrumento: Violão, principalmente tocado pelo Marcelo Menezes
Cantora: GAL COSTA, Aracy de Almeida e as Meninas da Serrinha (Lazir Luiza e Dely) das novas, Elisa Addor, Patrícia Oliveira e Roberta Nistra Cantor: Caetano Veloso, Moyséis Marques e Marcos Sacramento
Show: O Sorriso do Gato de Alice
Cidade: Rio de Janeiro
Time: FLUZÃO
Cor: AZUL E AMARELO
Atleta: Paula, do basquete
Filme: Sempre revejo a Cor Púrpura
Ator: Rubens Correa
Atriz: da minha geração Dora Simões e Juliana Jardim e, já consagrada, pra citar uma das que mais gosto, Regina Casé
Escola de Samba: PORTELA
Sonho: de me sustentar e dar conforto a mim e minha família por intermédio da minha arte
Palavras ao Zanzei
Ao Zanzei, na figura do Dodi, muito sucesso e minhas congratulações pela excelente idéia. Agradeço imensamente pela oportunidade de falar de mim e do meu trabalho e pela forma carinhosa como tenho sido tratado. Também por poder saber do trabalho dos meus colegas. Sorte pra todos! Grande abraço.